Marta Alves

Marta Alves

A evolução tem sido notória, o peso e o valor que se atribui à área também. São trabalhos e percursos como o da nossa convidada, Marta Alves, que elevam a fasquia e mostram que a técnica, formação e experimentação são a base para os makeup artists da actualidade.

Deixaram de ser maquilhadoras e passaram a ser artistas que, tal como no verdadeiro significado da palavra, têm um sentido estético único, vanguardista e uma definição, ainda que individual e subjectiva, do que é o belo.

O rosto funciona como uma tela em branco que, com leves, delicadas, mas planeadas pinceladas vai sendo realçado e trabalhado.

Para Marta Alves são 11 anos de experiência, de aprendizagem e de um ADN que foi construindo.

Os primeiros sinais remontam à sua primeira década de vida, bem lá no início, mas foi aos 6 anos que, o que inicialmente poderia ser interpretado como hobbie de criança, passa a ser encarado como paixão e habilidade inata. Pintava, ilustrava e começava a dar os primeiros passos pelo beauty world, naqueles que seriam os primeiros baby steps de uma carreira promissora.

Esta semana, damos as boas-vindas a Marta Alves, aka, Pink Lemonade.

 

Fotografia: Maria Rita

Produção e Texto: Margarida Marinho

Cabelos: Helena Gonçalves

Maquilhagem: Marta Alves

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Entre pincéis

Na introdução datámos os primeiros passos dados por Marta.

Esta veia artística e percurso devem-se, sem dúvida, a uma vontade fora de série, a muito trabalho e perseverança, mas, também, ao apoio incondicional dos pais, que tudo fizeram para a incentivar a seguir o seu verdadeiro dom. Aos 6 anos já tinha aulas de pintura, escultura e ilustração.

Nunca foram convencionais. A minha mãe, psicóloga com ideais e valores pouco comuns para a altura, sempre me incentivou a ser eu própria. Entre algumas dessas atitudes mais liberais, encontra-se o facto de sempre me ter deixado vestir o que queria e escolher a minha própria roupa. Tinha um estilo pouco usual, gostava de algumas coisas mais extravagantes; lembro-me de ter umas botas verde flúor e de ser olhada com alguma surpresa por parte das outras crianças que achavam que eu era diferente. Quando contava o que sentia à minha mãe, a resposta era: “ Ser diferente é bom, é positivo!”

E assim continuou, a quebrar barreiras. Em tudo, acabou por surpreender e provar que tinha muito para dar e que esta área era exigente e pressupunha dedicação, estudo e muita técnica.

Era certo que queria seguir a área das Artes, e assim o fez ainda no secundário. Entretanto, pelos seus 16 anos e com total aval da mãe, decidiu enveredar pelo mundo da maquilhagem profissional. Não começou logo por tirar o curso que mais queria, mas avançou com workshops e cursos em beauty brands conceituadas, entre as quais se destaca a M.A.C., uma das marcas mais precursoras e tendência da altura.

A partir daí, os fins-de-semana passaram a estar reservados para esses trabalhos.

Entretanto, entrou na faculdade e optou por Design, que à partida se revelaria uma base mais estável e sólida para o futuro, no entanto, a escolha não foi feita de forma irreflectida, era o curso cuja base se encontrava mais próxima das suas “love areas” e que lhe permitia continuar a desenvolver o desenho e a ilustração. #nadaaoacaso

Sempre tentou rentabilizar ao máximo o seu tempo, com vista a desenvolver e aprofundar determinadas skills, daí que, como as aulas da faculdade apenas lhe ocupavam as manhãs, optou por ocupar as suas tardes com as disciplinas das quais tanta falta sentia. Como tal, seguiram-se os cursos de ilustração de moda, design de moda e, posteriormente, produção de moda com especialização em make up.

Lembro-me dos meus colegas de faculdade me perguntarem como conseguia fazer tudo. Nunca fui muito de sair à noite, então aproveitava imenso o meu dia e, mesmo assim, sempre achei que não chegava para tudo aquilo que queria fazer. Tinha as aulas da faculdade de manhã, os cursos complementares à tarde e/ou noite e, aos fins-de-semana, as acções e trabalhos de maquilhagem.

Adorava o que fazia e revela, apenas porque já contou aos pais, que o dinheiro que recebia para almoço ou lanche servia para se actualizar face às tendências e comprar as Vogue ou ainda, para comprar o material de maquilhagem que precisava.

Acredita que, apesar das evidentes diferenças técnicas, a maquilhagem é uma declinação da pintura, sendo que o pincel funciona como uma extensão do braço e, como tal, se vai adaptando às diferentes telas por onde desliza. Com trabalho e sensibilidade vai-se desenvolvendo e ajustando o traço e foi sempre isso que a levou a querer saber mais. As Ilustrações de beleza eram e continuam a ser uma paixão.

O domínio sobre o pincel e sobre as cores elevavam e facilitavam o seu trabalho e até na simples decisão de escolher a base certa.

A partir daí, os trabalhos e as experiências foram surgindo. Seria impossível destacar tudo, o perfil da nossa convidada faz com que esteja em constante aprendizagem, mas não poderíamos deixar de falar no facto de apresentar um portefólio variado, que explora os mais diferentes formatos, entre os quais: outras especializações na área de Noivas e Festa, trabalho em TV, produções de moda e o facto de ter integrado, durante 2 anos, a equipa da Make up Forever.

Actualmente dá formação, faz workshops de auto-maquilhagem e é, ainda, maquilhadora freelancer da marca Urban Decay. Em paralelo? Gere a sua plataforma The Pink Lemonade. #omg

Marta Alves é uma girl boss, com claros traços geracionais que a levam a dedicar-se a projectos, a absorver o que têm, aprender e partir para o próximo desafio. Gosta e precisa de ter uma visão 360º da área, com a consciência de que toda a informação é pertinente.

O mestrado de Publicidade e Marketing, cuja pesquisa incidiu sobre a força que o ponto de venda tem sobre o ímpeto de compra no produto, mostra essa total preocupação, sensibilidade e sagacidade.

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The Pink Lemonade

Lançámos um desafio à nossa convidada. Não fazia sentido falarmos do seu percurso sem evidenciarmos as suas skills incríveis e sua estética, daí que propusemos que se maquilhasse para o seu próprio manifesto.

Três looks cujo conceito seria lançado por nós e trabalhado pela Marta.

Um look nude (make up no make up) mostrando um registo mais clean and easy; um look rosa color-blocking, Uber tendência, à qual Marta decidiu acrescentar um glitter incrível com toque extravaganza que, efectivamente, conseguimos reproduzir e, desde que vimos Pat MacGrath a introduzir o registo no desfile da Maison Valentino ou, numa versão mais soft e mais reproduzível, de Sam Bryant, em Simone Rochas, nos deram uma vontade tremenda de usar. E, por fim, um look festa cuja cor seria escolhida pela Marta. And so it was. Pelo caminho fomos retomando a conversa.

Depende do objectivo, claro, mas Marta afirma que, hoje em dia, as tendências não são tão relevantes no seu trabalho, o que não significa que não esteja atenta aos novos produtos que, quase a um ritmo diário, são lançados para o mercado.

Novos produtos significam novas técnicas e temos de estar sempre atentos e aprender com eles!.

Se falamos de um editorial de moda, a criatividade pode ser posta à prova, porém, num trabalho de maquilhagem para noivas ou numa formação, os objectivos são outros. Aí, Marta opta por realçar os pontos fortes do rosto de cada pessoa. Na verdade, aqui reside aquele que considera ser o verdadeiro papel da maquilhagem e que está muito mais ligado ao realce da beleza natural de cada pessoa, do que propriamente, a trabalhar o rosto e a modelá-lo.

Um conceito “natural beauty” que tem vido a ser massificado, entendido nas suas múltiplas versões, apesar das diversas correntes que existem.

Técnicas como o contouring não são de agora, já o maquilhador da Marilyn Monroe recorria a essa técnica. Está, também, muito associada ao movimento drag queen em que, efectivamente, o objectivo era o de modificar o rosto e trabalhar traços mais femininos em rostos masculinos.

Na sua arte, é exímia em preparar e trabalhar a pele, em dar aquela luminosidade natural e saudável que todas gostaríamos de ter. No entanto, não descura a componente “pedagógica” e desbloqueadora do papel que tem vindo a assumir enquanto influenciadora, na Plataforma The Pink Lemonade.

Somos, assumidamente, um país onde a maquilhagem ainda é vista como algo subtil, mais para disfarçar algumas imperfeições e dar um toque saudável. Marta entende e adora, mas como apaixonada pela arte, sente que o seu trabalho passa, também, por “educar”, mostrar técnicas e sugerir looks mais arrojados que podemos adoptar no dia-a-dia, que ficam super cool e que não são assim tão complexos. A par disso, vai sugerindo alguns produtos e fazendo as suas awesome beauty illustrations.

A cor e os seus pigmentos saturados, o olhar e iluminação, são alguns dos traços característicos do seu trabalho e que, decididamente, não poderiam faltar, neste Manifesto.

Sempre gostou de história, falamos de uma aluna de 20 nesta disciplina, mas, no século XX, são as décadas de 50 e 60 e das divas de Hollywood que a apaixonam particularmente e onde continua a inspirar-se.

Se tivéssemos de eleger um período que nos ajudasse a datar este manifesto, diríamos que recuámos até aos anos 80, com uma diva com toque rocker/disco, que nos guiou pelo seu beauty world com atitude, coolness e hardwork.

 

Obrigada, Marta!

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