Inês Franco

Inês Franco

Uma maquilhadora cujos  livros lideram os tops de vendas, que lança coleções de pincéis e que foi a primeira da sua classe profissional a ser eleita personalidade do ano na categoria Moda. Uma mãe workaholic que se recusa a deixar de dar jantares para ir planear posts, mas cujas dicas e vontade de ajudar outras mulheres fazem com que seja seguida por milhares. Uma empresária para quem nada tem sido impossível, mas que ainda assim teme sempre que a sorte acabe. Assim é Inês Franco, e, acima de tudo, é maquilhadora.

 

Fotografia: Maria Rita

Styling: Margarida Marinho

Cabelos: Fábio Oliveira com produtos Redken (L'Oréal como Beauty Partner)

Texto: Rita Duarte Silva

Agradecimentos: WC Beautique Hotel

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O Percurso

Inês é simples no trato. Quando nos encontramos com ela no reino aquático do WC Beautique Hotel, notamo-lo imediatamente. Apesar de se considerar uma pessoa tímida, achamos que isso pode ser mais uma certa falta de artifícios do que timidez propriamente dita.

Na maquilhagem que pratica, tudo é flexível, como ela nos surgiu também. Apresentámos-lhe as nossas propostas para o styling, diferentes do estilo mais descontraído que guarda no seu armário, propusemos eclipsar a franja que já faz parte do seu rosto (“Não me imagino sem ela, tenho-a há 15 anos!”)  e Inês assumiu-se como uma tela em branco no que a este aspecto diz respeito. Mas é exactamente ao vesti-la e penteá-la como uma outra Inês que descobrimos a verdadeira: terra-a-terra, de uma simpatia próxima e uma calma animada.

As tendências são para nos guiarmos. Se se usam sombras laranja fluorescente, podemos usar a mesma cor mas num outro tom. Continua a ser tendência. Isto se a pessoa se sentir bem. O importante é valorizar os traços de cada pessoa. Para mim, a maquilhagem é isso, é fazer as pessoas felizes.

Realizadora de make-overs na revista Cristina foi um dos papéis que reteve depois de ter de começar a seleccioná-los. Chegou a ser editora de beleza por lá, continuando uma relação que mantém há 14 anos com uma das mais observadas mulheres do país, Cristina Ferreira. A apresentadora não dispensa aquela que lhe desenha os olhos como está habituada, naquilo que já se tornou uma das imagens identificáveis da mão de Inês Franco.

Começou na maquilhagem há duas décadas e diz taxativamente que dessa área nunca há-de sair. No fim de carreira vê-se a formar maquilhadores, uma evolução natural dos workshops de auto-maquilhagem que dá agora no seu atelier. “As miúdas novas também vão sempre ultrapassar-nos”, acrescenta, em paz com o assunto. Contrapomos que um percurso delineado qual cat eye impecável tem de valer alguma coisa. Concorda, lembrando o exemplo da sua professora, Cristina Gomes, um dos mais antigos nomes da área em Portugal e ainda no activo. Daquela que é a sua mentora, diz que guardou tudo e que o conserva em todo o seu estilo de maquilhar. “É muito perfeccionista. Passávamos oito horas a praticar lábios. Tenho o traço dela ainda”.

Para quem vem aprender com Inês Franco, escolher a base e usar o eyeliner são as maiores dificuldades. Foi, aliás, um post em que contava qual era o seu lápis de olhos preferido naquele momento que deu origem ao fenómeno de redes sociais no qual se tornou Inês: só no Instagram, tem 129 mil pares de olhos que seguem atentamente os movimentos nos seus vídeos, igual número de pares de mãos que anotam os nomes dos produtos que indica. Deixavam-lhe perguntas no mural do Facebook e Inês respondia, o que na altura não era comum, bem longe que estávamos do “Faz-me uma pergunta” do Instagram de hoje. 

Longe de delírios de grandeza, está sempre na frequência da desmistificação de ideias. Explica-nos, por exemplo, que há, de facto, diferenças entre maquilhar para televisão, onde começou e onde se sente bem até hoje, ou para fotografia, mas “não tantas como se especula: tem a ver principalmente com a pele já que as luzes que há nos estúdios de televisão estimulam a oleosidade e, com ela, os brilhos excessivos das peles”.

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As Conquistas

Fast-forward para 2014 e Inês é a primeira maquilhadora a ser eleita personalidade do ano na categoria de Moda por parte de uma revista feminina. “Pois foi, que coisa incrível!” diz, parecendo tão surpreendida como se tivesse sabido agora. “Ganhei à Sara Sampaio, como é que é possível?” Quando lhe perguntamos como explica esse fenómeno, justifica com simplicidade: “Lancei um livro, abri o atelier... Andava cheia de projectos. No que tenha a ver com maquilhagem, não há nada que eu não me veja a fazer.”

Ainda assim, o “Guia Prático de Maquilhagem”, um dos primeiros livros escritos em Portugal sobre maquilhagem, é outro dos feitos que traz ainda um tom de surpresa à voz de Inês. “Quando entreguei o primeiro livro, passei com o meu marido por uma livraria e disse-lhe a brincar: ‘Um dia ainda vou estar aqui no primeiro lugar’. Acabei por estar semanas! Quando me via nos tops ao lado de grandes escritores, quase que tinha vergonha… Pensava ‘Estes sim são autores, eu sou só maquilhadora!’”. Deitado ao mundo para ajudar as menos prendadas a realçar as nossas melhores características faciais, o primeiro livro teve oito edições. “Eu própria prefiro ver um vídeo a explicar uma coisa tão visual como é a maquilhagem… Mas graças a Deus pelas pessoas que preferem ler.”

O blog, distinguido como o melhor na categoria de Beleza por três vezes, o Facebook, o Instagram e o canal de Youtube continuam a ser o principal ponto de ligação de Inês com quem tem interesse em maquilhagem à séria e ao mesmo tempo sem complicações ou regras inflexíveis. Na sua equipa, apenas uma outra pessoa.

Às vezes são 9 da noite e está a Renata a mandar-me whatsapps a dizer ‘Ainda não escreveste o texto para o blog’ e eu respondo ‘Deixa-me em paz, estou a dar a sopa à Mariana!

“Tento ao máximo organizar-me e fazer tudo antes de ir buscar a minha filha”. Mas admite-se uma workaholic. “Trabalho também ao sábado, ou seja, resta-me apenas o domingo. Claro que para a minha sanidade mental tenho mesmo de tirar férias mas não preciso de uma semana, só de alguns dias. Só que risco aqueles dias na agenda e depois escrevo por cima compromissos de trabalho!” Ao fim de duas décadas de carreira, diz que já aprendeu a conhecer-se e a saber quando parar. “Preciso que o meu corpo me diga porque vou sempre ao meu limite mas identifico e controlo isso melhor desde que a Mariana nasceu. Tenho uma filha, uma família e a partir de uma certa hora é com eles que tenho de estar”.

Perguntamos-lhe qual a Inês que nunca imaginou vir a ser, das muitas que existem: a Inês mãe, a Inês maquilhadora, a empresária, a formadora, aquela que dá nome a produtos que ela idealizou. Responde com simplicidade que sempre imaginou todas estas faces da sua identidade. “Nunca corri atrás destas coisas, elas vieram ter comigo. Quando era nova, dizia que lá para os 40 ou 50 anos, quando achava que já seria velha”, ri-se, “teria um livro de maquilhagem”. Dois livros depois, o que lhe falta?

O que eu mais quero é ter a minha marca de produtos. Não me importo que seja associada a uma marca de maquilhagem, a colecção Inês Franco para marca X, mas tenho de ser eu a desenvolver os produtos. Sei o que faz falta, o que é bom e o que facilita realmente a vida das pessoas. Há muitas bases e muitos iluminadores, mas há ‘aquela’ textura ou ‘aquele’ pigmento que trabalham quase sozinhos e as pessoas não precisam de saber maquilhar-se.

Perguntamos se podemos escrever este sonho ou se é segredo. Inês diz que sim: “O meu marido diz-me sempre que devo escrever os meus desejos, não só pensar neles. Ele escreve sempre e acreditam que para aí 70% realiza-se?”

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