Maria Galvão de Sousa

Maria Galvão de Sousa

É blogger (sim, ainda existem). Estudou Moda e trabalhou em Londres e no Porto - chega agora a Lisboa. Tudo isto antes de completar um quarto de século. Nas suas imagens, cria mundos que nos deixam a fervilhar de ideias para um filme, um livro, algo novo. Maria Galvão de Sousa apresenta a sua narrativa para a nova estação, para quem a quiser ver, mas sem prescrições de estilo.

Fotografia: Maria Rita

Produção: Soraia Carmo, Ana Barata e Mafalda Debonnaire

Cabelos e Maquilhagem: Joana Bernardo

Texto: Rita Duarte Silva

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Espaço Natural

O riso fresco sai-lhe com facilidade, mas é uma presença calma no estúdio, quer na discussão de ideias quer na construção de imagens. É também colaborativa - "fica tudo tão melhor criativamente!" - e interessada: no fim da entrevista damos por nós do outro lado das perguntas sobre quem somos, onde estivemos e o que gostamos de fazer dentro da nossa profissão, muito para além das trocas de informação pessoal sobre os concertos ou exposições que pudéssemos possivelmente descobrir que tínhamos em comum.

Muito antes de decidir estudar Moda - em Castelo Branco, para aprender com Alexandra Moura, a designer de eleição com a qual já pôde trabalhar na London Fashion Week - a vontade de comunicar e explorar ideias levou-a a fundar um blog focado em Cultura e nas Artes de vários quadrantes, e uma via constante de partilha das descobertas que ia fazendo nestes campos.  Foi no espantosamente longínquo ano de 2011; afinal de contas, Maria tem apenas 24 anos. Olhando para o advento do Instagram que fez cair por terra muitos outros canais de expressão, perguntamos-lhe por que sente a necessidade de manter Contemporary Lives Here.

Estou ainda a aprender a explorar ao máximo o quadrado. O blog dá-me mais liberdade para construir as imagens e para escrever muito mais.

Apesar de se ter lançado para o mundo com entusiasmo, há uma marca familiar de que Maria fala muito. Veste roupa do pai, da mãe e da avó, o interesse em Arte e Cultura em geral vem de casa e até uma actividade extra-curricular que praticou desde pequena ajudou a moldar, primeiro, as suas escolhas de guarda-roupa e, de forma mais duradoura, a teatralidade dos gestos que nos fascina nas suas fotografias. Foi o ballet, que praticou durante cerca de dez anos, o responsável pela adopção tardia de calças e trouxe-lhe muito mais do que o já enumerado.

Sem dúvida que me ajudou  em relação à Moda porque aprendi sobre o corpo e os movimentos. Não sei Francês mas as poucas palavras que sei vêm do ballet e o mesmo com o repertório de música clássica. Gosto muito de continuar a ir ver bailados e espectáculos no geral. Acho que sou um bocado nerd porque realmente consumo muita coisa mas acho que é isso que depois me ajuda a sair um pouco da bolha.

Na sua mente de momento? Sustentabilidade. Explica que, estando na área, já visitou algumas fábricas e o contacto com designers seus amigos põe-na numa posição de conhecimento que faz com que seja difícil não ponderar sobre os custos desta indústria. As questões ambientais mas também éticas, no que diz respeito à remuneração e tratamento dos trabalhadores que fazem parte do fabrico e comercialização das nossas roupas são assuntos sobre os quais procura absorver e difundir informação em medidas iguais. Conta que tem sido "clínica" quanto às peças que compra mas relativiza esta problemática dizendo que, por muito que se usem peças que já tiveram outros donos, estas não duram para sempre e há sempre ocasiões onde é necessário comprar algo novo. 

Prescrições de estilo, não oferece nenhuma, não é essa a sua postura. Perguntamos então, sem pedir conselhos específicos, sobre um eventual caminho como designer. Maria, que ressalva que gostou bastante do curso e que lhe é muito útil conhecer bem os tecidos e os processos da construção do vestuário, explica:

Gosto realmente é de pesquisar inspiração, ir ver neste livro, juntar isto com aquilo… A minha colecção de fim de curso foi muito conceptual porque não queria ser designer, ter uma marca. Por isso mesmo, não está ultrapassada e acho que posso usá-la no futuro em algum projecto.

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Espaço Construído

Não sendo esta história uma prescrição de estilo de Maria, encontramos naturalmente o seu imaginário por toda a parte. Conta que, se em produções costuma ser mais extravagante - fácil de adivinhar por quem não tenha nunca clicado em contemporaryliveshere.com mas veja as fotografias com lenço na galeria abaixo - geralmente costumava ser bastante monocromática nos seus coordenados diários: entre o azul e o preto costumava resolver essa questão. A ter de se definir, fá-lo-ia com a noção de uma "minimalista no coração". Hoje em dia, nota que usa mais cor e tecidos para os quais antes não se inclinaria, como o cetim. Procurou exercitar esta quase descoberta da cor com as escolhas que sugeriu para esta produção. 

Uma vez que pude participar no conceito e era só sobre mim, queria que dissesse algo sobre o que sou. Um dos temas que  tenho sempre vindo a explorar é a relação entre um espaço que é natural e um que é feito pelo homem. Criámos este mundo artificial com os panos no estúdio.

As silhuetas femininas e masculinas misturaram-se entre cores primárias, tons terracota e jewel tones, colour blocks apenas quebrados por texturas e o ocasional print de um lenço ou a risca diplomática de um fato. A natureza está morta em shots aqui e ali, mas as cores estão bem vivas e é delas que temos estado à espera.

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