Margarida Patarra de Almeida, 24 anos, Ceramista... Inesperado? Sim e não. Habituados a interpretar a cerâmica como uma arte que pertence a um passado, ligeiramente old-fashioned, que nos remeteria, à partida, para uma infância. Uma casa repleta de memórias de família, com pratos suspensos que decoravam as paredes ou expostos como bibelots nos louceiros de valor inestimável. Pois bem, esse passado é agora um presente. Um presente com um twist jovem, criativo, único e feito à mão com muito amor. A Círculo Ceramics é o exemplo desse resgate.

Nada programado, tudo resultou de uma série de coincidências, de tentativas, de escolhas e cruzamentos, numa estrada que foi explorando e que se revelou sinuosa. Um percurso ainda curto, é certo, mas do qual já surgiu a Círculo Ceramics.

 

Texto: Margarida Marinho

Fotografia: Soraia do Carmo

Entrámos no atelier que Margarida partilha com um outro amigo, também ele ceramista, e dentro de um caos criativo e inspirador sentimo-nos rapidamente inebriados pelos detalhes espalhados por cada canto. O forno, os baldes, as peças novas que ainda estão ao ar a secar, o "cemitério" das peças com defeito e cuja vida útil será curta mas que, acima de tudo, representam um crescimento e um aperfeiçoamento constantes da artista auto-didacta. 

Contudo, o que nos prende o olhar é mesmo a Margarida. Muito jovem, na sua silhueta mignon, tez clara e cabelo escuro. Apresenta-se com uma camisola de malha e um avental. Está incrívelmente doce, delicada e feminina. Aí sim, tudo passou a fazer sentido. É fácil compreender o porquê da estética da Círculo Ceramics: clean, delicada, com as imperfeições que lhe dão graça. Cada uma, à sua maneira, reflete a personalidade doce, curiosa, jovem e tenra da artista. 

 

 

Uma busca constante por aquilo que somos, por aquilo que nos realiza (...) isso nunca vai acabar. A nossa vida não é perfeita, não é linear e as minhas peças reflectem isso. Encontro o quero fazer na imperfeição.

Um círculo de 2 anos que se une com base num processo de criação antagónico. Segundo Margarida, o trabalho em cerâmica combina um estado de relaxamento com a adrenalina de saber que entre os gestos comandados das suas mãos nasce uma peça que exprime uma vontade própria e que ,só no final, são oficialmente apresentadas.  

 

Espontânea e sincera, explica que a liberdade para a criação e experimentação assenta na consciência de que ainda tem muito para aprender e explorar.

Metaforicamente o que é um círculo senão isso? Uma imperfeição na perfeição.