O Rock surgiu na América, num cenário Pós-Guerra, no final dos Anos 50. 

Um movimento de contra-cultura liderado por jovens que se revoltaram contra uma sociedade assente sobre disputas constantes entre capitalismo e comunismo. Cansados da hiper-valorização do consumismo, e frente à insatisfação dos valores vigentes, viram na música (e no cinema) o veículo ideal para as suas vozes contestatárias.

Resultante de uma mistura entre os Blues e a sonoridade europeia, vai evoluindo, crescendo e decantando-se em diversos sub-estilos: hard rock, acid rock, rock progressivo, rock alternativo, entre outros.

Ao longo das décadas, foram emergindo grandes ícones deste ritmo musical que ficaram para sempre imortalizados, quer pela mensagem que passam, quer pela stage personna que criaram, ou pelo seu estilo, que nos influencia até aos dias de hoje.

 

Fazemos um Fast-Forward até Janeiro de 2017. 

O Rock voltou em força em todas as frentes, a influência musical está mais forte do que nunca, a mensagem voltou a ter o significado quase político, influenciado pelo contexto sócio-cultural que vivemos. A excentricidade, o estilo, a personalidade e o carisma desses verdadeiros ícones influencia uma nova geração e dita as tendências do momento. 

Quisemos entender de que forma essas influências se encontram presentes. Será só nos biker jackets, nas fishnets, nas leather pants e nos velvet blazers, ou isso apenas representa a exteriorização de algo muito mais profundo?

Pedimos a Marta Leal, designer e rocker de alma, para escolher um dos seus ícones favoritos...Uma escolha difícil, mas que culminou num grande nome. Aliás, numa das grandes estrelas do Rock de todos os tempos: Robert Plant, vocalista dos Led Zepellin. Nada mais nada menos do que quem lançou e perpetuou o famoso trio: os low waist jeans, a camisa slim-fit e o velvet blazer.

 

Fotografia: Soraia do Carmo

Texto: Margarida Marinho

Vamos falar de rock e, acima de tudo, de como essas referências e inspirações influenciam a nossa cultura, a nossa perspectiva e forma de estar, e a moda. É um tema atual e super desejo. Sabemos que tens uma especial ligação com ele, porquê?

Desde cedo tive um grande fascínio pelos anos 60/70, tanto pelo guarda-roupa da minha mãe, como pela música do meu pai. A música que ouço em casa é bastante ecléctica, mas ouço sobretudo rock, mais concretamente um sub-género, rock psicadélico ou progressivo. Interessa-me não só a complexidade da estrutura musical, como sensorial. Acho que isso acaba por se reflectir na forma de vestir, não é? Aliás a música e a moda sempre andaram lado a lado, portanto, faz tudo muito sentido.

Não só para explorar do ponto de vista estético - que é incrível, mas sob o ponto de vista de uma mentalidade e um momento que vivemos: o Rock surgiu como um movimento de ruptura. Acreditas que esse resgate possa estar relacionado com uma franca necessidade de sair desta crise instalada? Uma fuga? 

A importância da geração que revolucionou o mundo nos anos 60 e 70 é inquestionável. Foram marcados por mudanças assinaláveis do ponto de vista cultural, artístico, social, político, e de mudança de paradigma. Foi, também, a disseminação dessas mesmas ideias e filosofias de ruptura, um corte com as convenções até aí existentes. Um choque para o sistema. O mundo estava em ebulição e tudo o resto foi um reflexo. A afirmação da contracultura como fenómeno teve um impacto imenso: a geração actual é muito menos activista, muito mais absorta e inerte, talvez por não haver essa necessidade, já houve alguém antes a conquistar coisas por nós. Mas penso que fazia falta haver algum género de revolução.

Robert Plant influenciou toda uma geração de grandes ícones. Foi considerado, pela Rolling Stone, como um dos 15 mais importantes vocalistas de Rock de sempre e era o vocalista dos Led Zepellin. Acima de tudo,o que te levou a escolhê-lo? Em que é que te revês?

A contracultura ocupou-se em inventar um novo mundo de experiências culturais e rituais sociais e um corte com o instituído, e com isso, surgiu uma certa androginia, reflectida na moda e sobretudo associada ao Rock. Robert Plant é a personificação dessa mesma androginia, evidente na sua "stage persona" que acho particularmente sexy. A par disso, a sua força em palco, e obviamente, na música dos Led Zepellin.

Quando pensas nele, qual a imagem que te vem à cabeça?

Um vídeo de um concerto ao vivo, no ano inicial de Led Zeppelin, em 1969, para a tv dinamarquesa. Recordo-me particularmente da actuação de "Babe I'm Gonna Leave You" ou a "How Many More Times". Pronto, arrepia-me, não sei. Oh that curry messy hair.. 

Sob o ponto de vista estético (moda), de que forma interpretas essa actualidade? Dá vontade de sair à rua assim!

Por mim, saía sempre que o meu estado de espírito o permitisse. Sou um bocado 8 ou 80. Ou seja, ou arrisco bastante e aventuro-me a misturar coisas supostamente não misturáveis, combinar diferentes padrões ou usar a t-shirt vintage com um blazer de veludo, por exemplo, ou vou muito pelo look total black, no qual me sinto sempre muito eu, também. Acho que as pessoas arriscam muito pouco e jogam muito pelo seguro, levam-se demasiado a sério. Acho que a moda deveria ser algo playful, pelo menos é assim que a vejo. Não acho muito interessante vestires-te como o teu vizinho do lado ou como os teus pais... Mas isso sou eu. Mas é sempre um prolongamento da tua personalidade, portanto, deve reflecti-lo de alguma forma. Mas voltando atrás, a moda é um reflexo dos tempos e, infelizmente, vivemos num tempo demasiado tépido. 

És uma Rocker de alma?

Quero pensar que sim!