Margarita Pugovka

Margarita Pugovka

Os traços delicados mas fortes, olhar profundo, claro, quase translúcido como as águas gélidas e misteriosas do báltico, denunciam incontestavelmente as suas origens.

Vem da Letónia, chegou a Portugal quando tinha 8 anos, já lá vão catorze.

Porém, é no Porto que se sente em casa, juntamente com o Milka, o seu fofíssimo Cavalier King Charles Spaniel, e com os seus amigos do coração. Foi até lá que fomos conhecer a belíssima e inspiradora convidada desta semana: Margarita Pugovka.

Mas não queremos apressar a ordem e o caminho natural das coisas vamos, por isso, percorrer alguns dos capítulos da vida da Margarita, step by step.

 

Produção e texto: Margarida Marinho

Fotografia: Dulce Daniel

Maquilhagem: Marlene Vinha

Cabelos: Ana Cabeleireiro Hairtz  com Produtos Redken (Beauty Partner)

Agradecimento especial à Pensão Favorita

Ler Intro

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A Margarita

A chegada a Portugal, pressupôs uma adaptação cultural difícil e sobre a qual ainda fala com algum desconforto e nostalgia. O tempo não esbateu todas as diferenças mas rapidamente as ultrapassa quando dá um pulinho a Aveiro para visitar os pais e matar saudadas das iguarias russas que a mãe lhe prepara com tanto carinho. Mas como diz, o Porto tem lugar cativo no seu coração, sente-se em casa e valoriza a qualidade de vida que a cidade lhe oferece: bons amigos, boa comida e bom vinho! Existe melhor combinação?

Já conhecíamos a Margarita há imenso tempo, estávamos habituadíssimas a vê-la desfilar nas Fashion Weeks Internacionais para love brands como Victor & Rolf, Lacoste, Honor, House of Holland, a protagonizar a campanha de relógios da Marc Jacobs, e, claro, em revistas de referência como i-D, Dazed & Confused Magazine e diversas Vogue’s, porém, nunca nos tínhamos cruzado.

Vê-la ao vivo e a cores é diferente, é ainda mais bonita… Aquele toque cool off duty, pelo qual babamos nas publicações de street style, é tudo. Apareceu-nos de rompante envergando uns mom jeans, umas mules brancas e um incrível kimono japonês vintage dos verdadeiros! Tivemos o privilégio de passar o dia inteiro juntas! Conhecê-la, falar sobre os seus interesses e hobbies, as suas paixões e a sua experiência é uma descoberta que se assemelha a uma viagem por diversos sabores, com influências culturais diferentes, que só temos naqueles mercados #mustgo deliciosos e riquíssimos, que nos despertam sensações memoráveis e inesperadas e dos quais saímos a sentir-nos diferentes num mar de gente que parece permanecer igual.

Porém, para além daquela beleza estonteante, estar com Margarita pressupõe uma necessidade de abrandar. A graciosidade e leveza com que se move leva-nos a questionar como consegue manter a serenidade enquanto se divide entre dois mundos cujo ritmo exigido é o de fast forward!

Ler Capítulo 1

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Margarita, a manequim

Estava em Aveiro a deleitar-se com uma dose de batatas fritas e molho de alho quando, aos 15 anos, foi abordada por uma scouter que lhe propôs participar no casting do extinto Modalfa Fashion Dream. Com algumas inseguranças típicas da adolescência e porque nunca sequer tinha ponderado enveredar pela área, a primeira resposta foi negativa. Porém, numa decisão de pura sensatez, Bárbara Magalhães, insistiu e não arredou pé até obter uma resposta positiva. E ainda bem que assim foi… Margarita dava ali o primeiro passo para uma carreira brilhante que passou, naturalmente, por vencer o concurso para o qual havia sido convidada!

 

Um passo importante na construção da sua personalidade e da sua auto-estima que a fizeram aceitar a sua beleza singular e etérea. Com carinho, afirma que a moda a ajudou a tornar-se na pessoa que é.

Fala com carinho e respeito da carreira que construiu e das pessoas com quem teve o privilégio de se cruzar, entre um sem fim de nomes incríveis, Venetia Scott, Poppy Kain, ficaram na nossa memória. Margarita sente-se uma sortuda por ter contactado com profissionais tão incríveis, tão singulares e com visões tão diferentes que lhe permitiram retirar ensinamentos para a vida.

Um trabalho desafiante, onde a sua versatilidade é posta à prova a cada nova foto, a cada novo editorial. Criar uma narrativa e interpretar personas, diferentes Margaritas, é aquilo que mais a apaixona e que sente que a faz crescer.

Em pleno Parque da Cidade do Porto, Margarita interpretou-se a ela, sem personagens, sem conceitos… era ela e só ela, na sua magnitude, simpatia e beleza natural ofuscante, fotografada pela lente da nossa querida Dulce Daniel.

 

Fotografia: Dulce Daniel

Produção: Margarida Marinho

Maquilhagem: Marlene Vinha

Cabelos: Ana Cabeleireiros Hairtz com produtos Redken (Beauty Partner)

Ler Capítulo 2

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Margarita e a Alta Pastelaria

É engraçada a capacidade que o ser humano tem de nos surpreender. Ao longo de um bom par de meses, tivemos o prazer de privar com pessoas incríveis, com percursos ímpares dos quais retirámos ensinamentos únicos e importantes e que, em paralelo, permitiram, consolidar uma verdade… a formação não dita um futuro, nem um percurso, funciona essencialmente como uma base para novos e desafiantes voos. Falar com a Margarita é, uma vez mais, um excelente exemplo disso. Pensaríamos à partida ser difícil uma manequim com high beauty and body standards, dedicar-se a um mundo do qual muitos fugimos por ser uma perdição e excessos. Pois bem, Margarita desmistifica essa oposição e mostra que as duas podem coexistir, desde que, obedeçam a um equilíbrio.

De jaleca vestida, colocou o avental e falou-nos sobre uma das suas mais recentes paixões com a graciosidade e beleza que inequivocamente a definem.

Sempre se considerou um pouco gulosa, diz que nas suas temporadas em Paris não perdia a oportunidade de comer um bom macaron ou um bom croissant.

Conta que tudo começou de uma forma muito descontraída quando, por exemplo, por graça e delicadeza, levava para a Moda Lisboa, muffins, cupcakes e outras experiências doces que lhe davam imenso prazer a fazer. Inicialmente não tinha essa percepção, desvalorizava, sabia apenas que gostava e que tinha um certo jeito para “o ofício”.

O seu círculo de amigos começou por funcionar como júri, sempre gostou de cozinhar para eles e a tarte de limão merengada é um pedido recorrente nos encontros frequentes: a acidez (controlada) faz com que não seja uma sobremesa excessivamente doce e, como tal, muito desejada, é simplesmente deliciosa!

Prossigamos, foi desse círculo de amigos que, depois de dois anos a dedicar-se em formato autodidacta à área, surgiu a sugestão, que se viria a concretizar, de fazer sobremesas para o renovado Café Rivoli, a primeira experiência profissional na pastelaria. Pavlovas, tartes merengadas e o famoso bolo russo Medovik eram as estrelas do seu cardápio doce.

Ao longo da conversa, era notória a paixão e a exactidão com que Margarita fala sobre a pastelaria, não quer nem vai ficar por aqui, neste momento, está a estagiar com o Chef Pasteleiro Fábio Quiraz, no Restaurante Paparico, no Porto. Alta pastelaria e pastelaria francesa são a sua paixão, sobre a qual, humildemente diz que ainda tem muito para aprender, todavia, passos largos têm sido dados e a selecção que levou para o nosso encontro na Pensão Favorita é uma pequena amostra disso! 

Esta foi a sua primeira experiência a fazer sobremesas propriamente ditas, com uma composição rica de sabores, diferente dos bolos que fazia até então. Margarita faz questão de sublinhar que um bolo é bem diferente de uma sobremesa, porque esta última requer toda uma técnica e conhecimento na arte de conjugar sabores e texturas que a primeira não exige necessariamente.

A mestria reside na parte técnica, na perícia e no perfeccionismo empregues no processo de desenvolvimento de uma sobremesa, esta normalmente é pensada para que se possam degustar diferentes layers de sabores numa só fatia ou numa só peça.

Porém, para além da aprendizagem, da técnica e da necessidade de melhorar a cada novo projecto, Margarita encontra a verdadeira felicidade quando vê alguém saborear aquilo que acabou de fazer com tanto esforço e carinho… um momento que atribui todo o significado a esse trabalho e que retribui o esforço. Descreve-se como uma apaixonada pela arte da pastelaria, uma sortuda por ter descoberto algo que a deixa genuinamente feliz.

Inconsciente ou conscientemente levitam à nossa volta influências que nos despertaram para determinado skill ou sensibilidade. Margarita, acredita que esta preferência possa já ter despontado na sua infância e por influência da mãe, que também adora fazer bolos, alguns por encomenda, e com a qual ainda vai trocando receitas e opiniões.

Lembro-me, de entrar em casa e sentir um cheirinho a bolo, muito bom!

Porém, e infelizmente, a cozinha da sua terra natal não teve tanta influência no trabalho quanto gostaria. Conta que a Letónia, quando esta ainda fazia parte da União Soviética, tinha apenas um livro de culinária o que fazia com que independentemente do local onde se encontrassem, a gastronomia não tinha derivações e a criatividade não era incentivada. Ainda assim, um dos seus bolos mais solicitados continua a ser a especialidade russa sobre a qual já falámos: o bolo de bolacha de mel e crème fraîche, o medovik.

Muito motivada pela sua carreira internacional de manequim, foi apurando o palato e viajando pelos sabores, isto sem nunca sequer ter imaginado que o seu caminho algum dia poderia passar pela pastelaria. Em Portugal aprendeu a saborear e a valorizar o ritual das refeições: a sentar à mesa, a degustar e a conversar, costumes muito nossos e que na Letónia não possuem tanta expressão.

Ler Capítulo 3

Ingredientes para a Pavlova

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A receita da Pavlova

As imagens falam por si, não é apenas uma sobremesa lindíssima, mas também de comer e chorar por mais.

Daquilo que fomos pesquisando, a origem da Pavlova ainda está envolta num mar de discórdia. Este bolo com base de merengue, crocante por fora e macio por dentro, acredita-se que surgiu pelas mãos da bailarina russa Anna Pavlova, depois de uma viagem que fez pela Austrália e nova Zelândia. Bem, não nos cabe decidir quais as suas origens, sabemos apenas que é uma iguaria dos deuses e que a versão da Margarita merece os nossos mais sinceros aplausos! #planoverao2017adiado

Margarita explica que escolheu esta sobremesa por ser leve e perfeita para o Verão.

Ingredientes:

-Claras

-Açúcar em pó

-Extracto de baunilha

Para o creme:

- Natas

- Queijo mascarpone

Topping:

Molho de frutos do bosque (frutos vermelhos e mirtílos, açúcar, sumo de limão).

Preparação:

Pré-aqueça o forno a 180º, e comece por fazer um merengue.

Separe as claras das gemas de 4 ovos, e bata as claras em castelo. Quando a espuma começar a ficar mais consistente, adicione 250 gramas de açúcar fino, colher a colher.

  • Junte depois extracto de baunilha, amido de milho peneirado e vinagre de vinho branco, e envolva tudo com a ajuda de uma espátula.
  • Coloque uma base de silicone num tabuleiro, disponha o merengue em forma de círculo, baixe a temperatura do forno para os 140ºC e deixe o merengue cozer durante 1 hora e 10 minutos.
  • Quando estiver pronto, faça o recheio da pavlova. Bata 200 mililitros de natas gordas, acrescente umas gotas de limão e adicione gradualmente 3 colheres de sopa de açúcar.
  • Cubra a pavlova com o topping de frutos vermelhos.

 

Et voilá!

Ler Capítulo 4

Ingredientes

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